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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Bruno Covas é o nome preferido de Geraldo Alckmin para disputar a prefeitura de São Paulo no ano que vem.

Bruno Covas ainda era um adolescente quando deixou Santos e veio morar com o avô no Palácio dos Bandeirantes em São Paulo. Ele guarda poucas mas valiosas lembranças do tempo em que viveu sob o mesmo teto que o avô, Mário Covas.

"Ele não gostava muito de abrir a boca. A gente é que ficava espetando. Uma vez eu voltei de uma festa de madrugada e ele estava acordado vendo TV. Perguntei se tinha perdido o sono e ele deu uma resposta desconcertante: ‘Você viu o frio que está lá fora? Como eu vou conseguir dormir sabendo das pessoas que não têm onde morar?'".

A primeira experiência política de Bruno aconteceu por acaso. Ele estava de casamento marcado e concentrado em terminar duas faculdades - economia na USP e economia na PUC - quando foi convidado a ser candidato a vice-prefeito de Santos pelo PSDB. Acabou em segundo lugar, mas ganhou notoriedade em sua cidade natal.

Em 2006, elegeu-se deputado estadual pela primeira vez. Em 2010 renovou o mandato, mas acabou aceitando o convite de Geraldo Alckmin para assumir a secretaria de Meio Ambiente do estado. Com 30 anos é o mais jovem titular da pasta. Uma vez no cargo, ele assumiu a árdua tarefa de enfrentar o debate em torno das implicações ambientais relacionados às obras do Rodoanel.

Vale lembrar que o complexo viário leva o nome de seu avô, o ex-governador Mário Covas. Depois de passar por um período de imersão, Bruno foi à campo e tomou a iniciativa do debate. A desenvoltura que ele demonstrou no cargo o credenciou como candidato preferido do governador Alckmin para disputar a prefeitura de São Paulo no ano que vem pelo PSDB.

Ser prefeito de São Paulo é um projeto que está no horizonte político?

É dificíl você apontar um político que não tenha esse desejo (risos). É a mesma coisa que perguntar para um jornalista se ele gostaria de ser diretor de redação. Para candidaturas ao legislativo é preciso de desejo pessoal. Mas para o executivo o desejo precisa ser coletivo.

Seus eleitores de Santos, sua base, não vão ficar com ciúmes?

Esse é outro problema a ser administrado. Mas o partido lá deve caminhar para outra candidatura, do secretário Paulo Alexandre. Então não existe esse dilema.

Já transferiu seu título de eleitor para São Paulo?

Não. Não tenho pressa em relação a isso. Quem está afobada é a imprensa.

É a favor da realização de prévias para que o PSDB escolha seu candidato a prefeito em São Paulo?

Sim. Acho importante. É um momento de participação do militante na vida do partido.

E se o Serra decidir disputar a prefeitura?

Ele é um candidato natural. Se ele decidir disputar, eu abro mão. Não existe a menor hipótese de uma disputa minha com ele nas prévias.

Ao romper com o DEM e se aproximar de Dilma, Gilberto Kassab explodiu pontes com o PSDB?

De forma alguma. O prefeito pode ser um aliado nosso.

Acredita que o efeito Marina Silva ajudou a fortalecer a causa ambiental?

O sucesso da Marina não está só na questão ambiental. Ela levantou bem a bandeira ética. Se ela tivesse só o discurso ambiental, como Cristovam (Buarque) fez com a educação, talvez não tivesse tido a votação que teve.

Qual será o impacto ambiental da obra do trecho norte do Rodoanel na Serra da Cantareira? Ambientalistas e moradores temem um cenário devastador...

A ideia da obra é conter o avanço da população sobre a Serra da Cantareira. Ela vai servir inclusive como um obstáculo à ocupação. A obra vai conter a expansão da cidade. Se a área de preservação ambiental não for cuidada, ela acaba em ocupação.

Todas as pendências ambientais relativas a obra do trecho norte do Rodoanel foram resolvidas?

A obra não está 100% aprovada. A Dersa ou o reponsável pela obra ainda precisam apresentar uma série de documentos para obter a licença de instalação. Várias ações ainda precisam ser feitas, como pagamento de compensação ambiental.

Qual a importância dessa obra para o projeto do PSDB em São Paulo?

É uma obra que está há 14 anos sendo feita. É uma promessa de campanha que o governador Geraldo Alckmin está cumprindo. Em 2014 a população vai avaliar o que foi feito.

Ambientalistas dizem que o Consema (Conselho Estadual de Meio Ambiente, órgão ligado a secretária e que dá o aval ambiental para obras) está atuando como carimbador verde do governo para o Rodoanel. O fato de você ser neto do Mário Covas, que vai dar nome ao Rodoanel, e de não ter relação histórica com a causa ambiental não reforçam esse estigma?

Estamos falando de um conselho com 36 representantes. Dezoito são indicados pelo governo, que foi eleito. A população não votou nos ambientalistas. Quem tem o respaldo popular são aqueles conselheiros que foram escolhidos pelo governo. A resistência que existe é normal, já que o Rodoanel é uma obra de grande impacto.

Foi difícil se familiarizar com o tema?

Com certeza. Eu nunca tinha trabalhado no poder executivo. A dinâmica, a ação e a lógica é outra em relação ao legislativo. Fiz uma grande imersão no primeiro mês para poder discutir alguns assuntos.

Os ambientalistas também reclamam que a reunião do Consema que aprovou o Rodoanel foi convocada em cima da hora e não teria dado tempo de estudar o documento...

Licenciamento está ocorrendo há nove meses. Ninguém foi pego de surpresa. Cada reunião do Consema, o conselheiro é informado de todos os EI/RIMAS.

Qual sua posição no debate sobre a mudança no Código Florestal?

Se eu fosse deputado federal, teria votado contra. A discussão na Câmara foi muito apaixonada e pouco técnica. O Senado, que seria apenas o chancelador do que foi discutido na Câmara, resolveu discutir melhor o Código. De um lado ficaram aqueles que queriam "preservar a natureza", de outro os que queriam devastar e produzir. Ninguém está mais interessado em preservar a natureza do que o produtor rural.

A discussão no Senado está sendo mais técnica. Tem alguns pontos que me preocupam. Por exemplo, a possibilidade de compensar áreas preservadas em regiões fora do estado. Fico imaginando a polícia ambiental chegando no produtor rural de São Paulo e perguntando; "cadê a averbação dessa reserva legal?". Aí ele responde que está em Sergipe. Quem vai averiguar isso? O Ibama?

O PSDB caminha para 12 anos de oposição no plano federal. Como o partido deve agir para virar o jogo?

O primeiro semestre foi um grande inferno astral. Todos os dias surgiam notícias negativas. O que falta é o partido se assumir mais como oposição. O próprio governador defende a criação de um gabinete paralelo. É preciso melhorar as criticas aos caminhos do Governo Federal.

O PSDB errou ao não assumir o legado ex-presidente Fernando Henrique nas últimas campanhas presidenciais?

Sem sombra de dúvida. Houve um grande erro de avaliação. Mas nunca é tarde para rever conceitos.

A secretaria enfrenta muitos problemas de obras irregulares no litoral norte?

Há um olhar muito forte do movimento ambientalista no litoral norte. Até porque é a única região do estado em que nós temos um zoneamento ecológico-econômico. Uma das ações do pré-sal, um dos licenciamentos feitos pelo Ibama não prevê que as cidades do LN seriam impactadas.

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