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terça-feira, 31 de maio de 2011

Cinco meses de um varejo sem fim

Dilma Rousseff termina hoje o quinto dos 48 meses da sua gestão. Neste período, a presidente não apresentou, nem parece dedicada a desenvolver, um projeto para o país que tenha força suficiente para galvanizar apoios no Parlamento e na sociedade. “Governos desta natureza dependem fundamentalmente de apoios cevados a fisiologismo. Daí a preocupação em escancarar ainda mais o balcão de negócios para o PMDB e a base aliada”, diz trecho da Carta de Formulação e Mobilização Política editada pelo Instituto Teotonio Vilela nesta terça-feira (31). Leia a íntegra abaixo:


Nos desdobramentos da crise envolvendo o enriquecimento do ministro da Casa Civil, a discussão do momento é sobre o aumento do peso do PMDB no núcleo de poder. O partido de Michel Temer sente-se confortável para cobrar mais pelo apoio parlamentar, sob ameaça de deixar que alguns de seus senadores tornem a CPI do Palocci uma realidade. O balcão de negócios do Planalto está a pleno vapor.

Três dos principais jornais destacam hoje a fatura que os pemedebistas estão apresentando ao governo. Para O Estado de S.Paulo, em manchete, “com Palocci fraco, PMDB quer nova articulação política”. Segundo a Folha de S.Paulo, o “PMDB cobra mais poder de decisão no governo Dilma”. Até o Valor Econômico, que vinha dando menos destaque ao caso, informa, em primeira página, que “Dilma revê coordenação política”.

Uma das conclusões em comum é que o PMDB deverá partilhar mais das decisões do governo e Dilma Rousseff irá intensificar os contatos com as lideranças governistas no Congresso. Tudo isso seria decorrência da derrota na votação do Código Florestal, na qual o PMDB não seguiu as ordens do Palácio, e do acirramento das relações ao longo da crise em torno de Antonio Palocci. Também seria uma forma de reconstruir a abalada autoridade da presidente.

É claro que o governo, qualquer governo, depende de uma boa articulação política para funcionar melhor. Mas, no caso de Dilma, isso é uma dependência química. A inabilidade e a inexperiência políticas da presidente justificam parte das dificuldades. Mas o modo como o condomínio de poder se organiza sob o PT explica muito mais.

Dilma termina hoje o quinto dos 48 meses da sua gestão. Neste período inicial, os governos costumam ser marcados por gestos ousados, pela apresentação dos projetos mais arrojados, pela proposição das mudanças mais significativas para a vida de um país. O que fez o governo da presidente neste sentido até agora?

Não há uma única reforma efetivamente em discussão. Dos principais projetos que tramitaram no Congresso, um trata de assunto corriqueiro na vida da nação – a fixação do salário mínimo – e o outro serviu mais para nos jogar numa encruzilhada do que para apontar novos caminhos – o do Código Florestal. É muito pouco para um governo que se dizia estar “em lua de mel” com o país.

Dilma Rousseff não apresentou, nem parece dedicada a desenvolver, um projeto para o país que tenha força suficiente para galvanizar apoios no Parlamento e na sociedade. É um governo dedicado à administração cotidiana da burocracia, à política miúda, ao curto prazo. Um governo de um varejinho sem fim.

Para funcionar, governos com esta natureza dependem fundamentalmente do “é dando que se recebe”. O balcão do fisiologismo tem de estar aberto diuturnamente. A articulação política que Dilma promete azeitar doravante se presta a garantir que estas engrenagens funcionem melhor – o que não significa que tenham parado de funcionar um instante sequer.

“Como contentar o PMDB? Cedendo espaço na máquina governamental que possibilite bons negócios. Rentáveis para efeito privado e péssimos para o interesse público. O governo postergou, até o momento, a partilha do butim, não pela defesa da moralidade pública. Longe disso. Está testando o partido para ver até que ponto é possível negociar”, escreve Marco Antonio Villa n’O Globo.

A intervenção de Lula na semana passada serviu justamente para reafirmar a prevalência dos princípios fisiológicos no condomínio gerido por Dilma sob a tutela do ex-presidente. Ele veio lustrar o balcão. Fica muito evidente que esta é a regra que vale para os governos do PT. Basta agirem assim, para saírem sorridentes nas fotos…

A assessoria da presidente cuida de disseminar que a atuação de Lula “desagradou” Dilma. Bobagem. A intervenção é parte do jogo que ela aceitou jogar, mas não estava tendo habilidade para conduzir. A interferência do ex-presidente serviu para apaziguar os ânimos e garantir que os canais não serão obstruídos – pode-se imaginar o que flui por intermédio deles.

A correria do governo para atender prontamente os comensais do PMDB e da base aliada também sugere a pouca confiança nas explicações dadas pelo ministro da Casa Civil sobre o crescimento exponencial da sua fortuna. Busca exorcizar investigações, mas a crise está longe de acabar – o Valor chega hoje a cogitar nomes de possíveis sucessores de Palocci: Fernando Pimentel, Paulo Bernardo e Alexandre Padilha.

Pode ser que o Planalto aposte que, no fim das contas, o episódio sobre o enriquecimento suspeito de Antonio Palocci não passe de um “acidente”, como aliados do PT do quilate de José Sarney já consideram ter sido o impeachment de Fernando Collor. No fundo, a intenção acaba sendo esta mesma: igualar todos. Por baixo.

Fundadores do partido: PSDB está em nova fase

Combate ao clientelismo e sustentabilidade são temas que devem ganhar mais importância

Tornar, de novo, o Estado brasileiro público e democrático. Essa é uma das bandeiras que o PSDB deve levantar, a partir de agora, na opinião do vice-presidente executivo da legenda, Eduardo Jorge, também um dos fundadores do partido. Ele lembra que o PSDB cumpriu todo programa de governo nos oito anos de mandato do presidente Fernando Henrique e precisa, nessa nova fase, discutir também uma “agenda de futuro”. Segundo ele, o PT falhou na continuidade das políticas da administração do PSDB. “Temos que recuperar a essência da democracia, restabelecendo direitos universais, como o da unipessoalidade e a superação do clientelismo”, afirmou.

Outro fundador do partido, o ex-deputado e constituinte de 1988, Antônio Perosa, também concorda com Eduardo Jorge. Segundo ele, o Brasil tem que voltar a ser um Estado público e democrático. “Isso precisa ocorrer já que o pais foi equivocadamente apropriado por um partido com base numa forte propaganda”, disse. Perosa insiste na retomada da bandeira da social democracia para que a esta se torne real nas diversas camadas sociais do povo brasileiro. “Precisamos também fortalecer o debate em defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável”, disse outro fundador do partido e também constituinte de 1988, Octávio Elísio.

Já o deputado Vanderlei Macris (SP) acha necessário a discussão das metas do partido para 2014. Na avaliação dele, é vital que o partido recupere a bandeira da inclusão social. “Nossa história sempre foi muito ligada às bandeiras sociais. Precisamos reforçar isso e levarmos esse entendimento aos demais”, afirmou. Macris lembrou, por exemplo, que o então prefeito de Campinas, José Roberto Magalhães Teixeira, o Grama e também um dos fundadores do PSDB, foi o primeiro governante brasileiro, ainda nos anos 90, a criar o programa conhecido atualmente como o Bolsa Família.

O vereador Floriano Pesaro, primeiro presidente da Juventude Tucana e outro idealizador do partido, lembrou ainda que o PSDB deve começar a intensificar as discussões sobre as questões referentes às regiões metropolitanas e grandes cidades do país, como a infraestrutura, a segurança e mobilidade urbana. “O PSDB precisa reforçar a defesa do que sempre foi dele”, afirmou.

Fonte: Agência Tucana


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Convenção Nacional reforça clima de unidade do PSDB


Em clima de unidade e aclamação, a Convenção Nacional do PSDB definiu os nomes da executiva nacional do partido para os próximos dois anos. Filiados da legenda, governadores, senadores, deputados federais e representantes históricos, como o presidente de honra Fernando Henrique Cardoso, se reuniram em Brasília para aprovar a nova estrutura partidária focada em cinco ações principais: avanços nas eleições municipais, recrutamento de novos integrantes, democratização do partido, estreitamento das relações com a sociedade e reestruturação da comunicação.

Criticando a ausência do atual governo no combate à inflação e na implantação de políticas para o fortalecimento da indústria e da infraestrutura nacional, os líderes da oposição cobraram mudanças no governo da presidente Dilma Rousseff e ajustes no partido. “O PSDB precisa ser um partido com coragem, generosidade, da construção e do reconhecimento”, disse Fernando Henrique Cardoso.

Ao contrário das avaliações sobre a divisão do partido, o presidente reconduzido à Executiva Nacional, Sérgio Guerra, também fez questão de valorizar a história do PSDB os novos rumos políticos da oposição. “Não queremos ter apenas diretórios em todo lugar, queremos ter o PSDB com sua forma e conteúdo, uma imagem central que se espalhe Brasil afora”, disse Guerra.

As lideranças de São Paulo e Minas Gerais também fizeram questão de reforçar a unidade partidária. “As diferenças em qualquer partido são normais, mas elas não podem falar mais alto. A nossa união enfraquece nosso adversário”, afirmou o conselheiro político do partido e ex-governador de São Paulo, José Serra. O senador Aécio Neves, conselheiro do PSDB no Congresso Nacional, também enfatizou o início de uma “nova caminhada” de olho no futuro. “Este é um partido sem dono. O dono do PSDB é o partido brasileiro”, afirmou.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Empresa de Palocci faturou R$ 20 mi no ano da eleição

CATIA SEABRA DE BRASÍLIA

A empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, faturou R$ 20 milhões no ano passado, quando ele era deputado federal e atuou como principal coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República.
Segundo duas pessoas que examinaram números da empresa e foram ouvidas pela Folha, o desempenho do ano passado representou um salto significativo para a a consultoria, que faturou pouco mais de R$ 160 mil no ano de sua fundação, 2006.
Batizada como Projeto, a empresa de consultoria de Palocci foi aberta em julho de 2006 e transformada numa administradora de imóveis no fim de 2010, dias antes da posse do novo governo.
A Folha revelou no domingo que a Projeto comprou um apartamento de R$ 6,6 milhões no ano passado e um escritório de R$ 882 mil em 2009. Os dois imóveis ficam em São Paulo, perto da avenida Paulista, uma das áreas mais valorizadas da cidade.
As aquisições ajudaram Palocci a multiplicar por 20 seu patrimônio. Ao registrar sua candidatura a deputado em 2006, ele declarou à Justiça Eleitoral a propriedade de bens avaliados em R$ 356 mil, em valores corrigidos.
Palocci afirmou nesta semana que adquiriu os dois imóveis com recursos que sua consultoria obteve nos anos em que ele exerceu o mandato de deputado federal. O faturamento de 2010 é suficiente para comprar três apartamentos iguais ao que ele adquiriu no fim do ano.
A legislação brasileira permite que parlamentares mantenham atividades privadas como a consultoria de Palocci mesmo durante o exercício do mandato, mas prevê sanções para parlamentares que defenderem interesses dos clientes em sua atuação no Congresso.
Palocci tem evitado discutir a natureza dos serviços que sua empresa prestou e a identidade de seus clientes.
Palocci mudou os estatutos da empresa no fim do ano passado por orientação da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, para evitar que sua atividade como consultor de empresas gerasse conflitos com sua atuação no governo Dilma.
Ele transformou a Projeto numa administradora de imóveis e contratou uma empresa ligada ao Bradesco para administrá-la. Palocci diz que o apartamento e o escritório de São Paulo são os dois únicos imóveis administrados pela firma atualmente.
A Folha solicitou à Casa Civil várias vezes nos últimos dias informações sobre a Projeto, seus clientes e seu faturamento, mas a Casa Civil e a assessoria da empresa disseram que não divulgariam nenhuma dessas informações.


Empreiteira com negócios públicos contratou Palocci

WTorre diz que recorreu à empresa de consultoria do hoje ministro para tratar de "assunto corporativo"

Construtora fechou entre 2006 e 2010 negócios em torno de R$ 1,3 bilhão com fundos de pensão e Petrobras


RUBENS VALENTE,ANDREZA MATAIS,JOSÉ ERNESTO CREDENDIO DE BRASÍLIA

O grupo WTorre, que fechou negócios com fundos de pensão de estatais e com a Petrobras, foi um dos clientes da empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.
A empreiteira também fez doações de campanha a Palocci (R$ 119 mil), em 2006, e a Dilma Rousseff (R$ 2 milhões), no ano passado.
A WTorre fechou negócios com os fundos e com a Petrobras entre 2006 e 2010, quando o hoje ministro da Casa Civil era deputado federal pelo PT (2007-2010) e sua empresa, a Projeto, estava ativa como consultoria.
Esses negócios são avaliados em R$ 1,3 bilhão -com Petrobras e os fundos de pensão Funcef (Caixa) e Previ (Banco do Brasil).
O grupo WTorre diz manter ativos de R$ 4 bilhões em 200 projetos.
Em nota, a WTorre informou que "confirma ter contratado a Projeto para prestar consultoria num assunto corporativo, a respeito do qual a empresa se reserva o direito de não comentar". A construtora, que pertencente a Walter Torre Júnior, não revela quanto pagou.
Também em nota, a assessoria da Projeto disse que seus contratos têm "cláusula de confidencialidade que não lhe permitem revelar os nomes dos seus clientes".

PETROBRAS
Em fevereiro de 2010, a empresa vendeu o complexo WTorre Nações Unidas, numa das regiões mais caras de São Paulo, à Previ.
Pouco antes, em 17 de dezembro de 2009, uma das controladas da WTorre celebrou acordo para alugar parte do Centro Empresarial Senado, no Rio, ainda em projeto, à Petrobras, um negócio de R$ 650 milhões.
O complexo abrigará escritórios da petroleira.
A empresa também comunicou em seu balanço de 2009 que tentava renegociar uma dívida de curto prazo, de R$ 250 milhões, com o Banco do Nordeste. A empresa e o banco não dizem se a renegociação foi concluída.
Em outro negócio, a companhia repassou ao Funcef e à Engevix Engenharia R$ 410 milhões em ações do estaleiro Rio Grande (RS).
A WTorre também é responsável pela obra do estádio do Palmeiras e figura na composição da controladora da concessionária que administra o trecho paulista da rodovia BR-153. No segundo caso, ela pediu à Agência Nacional de Transportes Terrestres sua saída.

ELEIÇÕES
A maior parte das doações a campanhas eleitorais feitas pela empresa beneficiou candidatos petistas.
Os valores foram crescentes a partir de 2006.

Em 2010, além da doação de R$ 2 milhões à campanha de Dilma Rousseff, da qual Palocci era coordenador, também houve aporte para o tucano José Serra (R$ 300 mil), adversário na disputa

FONTE: Folha de SP

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Oposição e OAB cobram Palocci sobre patrimônio

A Ordem dos Advogados do Brasil e os três maiores partidos de oposição cobraram ontem esclarecimentos ao ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, sobre a evolução de seu patrimônio, 20 vezes maior que o total declarado em 2006.
Ontem, a Folha revelou que o ministro adquiriu dois imóveis em área nobre de São Paulo: um apartamento de R$ 6,6 milhões e um escritório de R$ 882 mil.
Em 2006, quando foi candidato a deputado federal, Palocci declarou à Justiça Eleitoral possuir um total de R$ 375 mil em bens -em números corrigidos.
Nos quatro anos de mandato, quando se destacou na bancada do PT em debates importantes da Câmara, como o da reforma tributária, Palocci recebeu em salários R$ 974 mil, brutos.
"A notícia preocupa, e muito. Para um aumento de patrimônio em tão pouco tempo, de um homem público, exige-se explicação", declarou Ophir Cavalcante, presidente da OAB.
O DEM instou a Receita Federal a apurar o caso. "Impõe-se uma manifestação sobre o assunto. Se as justificativas não forem suficientes, tomaremos providências", disse o presidente do partido, senador Agripino Maia (RN).
"Não vamos fazer prejulgamento. Mas é melhor o ministro esclarecer qual a renda da empresa, quais os serviços prestados e qual o lucro que obteve. Como homem público, não tem razão para não dar explicações", disse o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE).
O PPS prometeu acionar o Conselho de Ética da Câmara. "Dinheiro não nasce no chão. Muito me estranha esses enriquecimentos tão rápidos", afirmou Roberto Freire (SP), deputado e presidente nacional da legenda.
O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), defendeu ontem o ministro. "Confio no Palocci. Ele deu uma explicação e, para mim, isso é página virada", declarou.
Os dois imóveis foram comprados por Palocci por meio da empresa Projeto, da qual ele é sócio principal, com 99,9% do capital.
Segundo o ministro, as transações, feitas diretamente com as construtoras, foram bancadas com recursos próprios da empresa.
A Projeto foi criada em 2006 como consultoria e foi transformada em administradora de imóveis em 2010.
A Folha foi duas vezes à sede da empresa -o escritório de 183 m2, comprado em 2009 por R$ 882 mil- e encontrou a sala fechada, sem placa na porta nem identificação na recepção do prédio. A única pessoa que atendeu os telefonemas diz não saber a atividade da Projeto.
O apartamento fica perto dali. Ocupa um andar inteiro do edifício e tem 502 m2 de área útil (quatro suítes e cinco vagas na garagem).
Palocci deixou o cargo de ministro da Fazenda em março de 2006, depois de se envolver no escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

FONTE: Folha de SP

domingo, 15 de maio de 2011

A democracia plugada

O dado impacta: já há mais de 2 bilhões de pessoas conectadas às redes sociais eletrônicas, quase um em cada três habitantes do planeta. A cada minuto, milhares de novos internautas ingressam no circuito tecnológico da informação, enquanto a assinatura de telefones celulares já passa da marca de 5 bilhões. O mundo está plugado.

O fenômeno suscita estudos, debates e análises nas frentes de pesquisas sobre comportamento social, mas um aspecto chama a atenção pela importância que passa a ter para o desenvolvimento político das Nações.

A questão assim pode ser posta: a Era da Informação Total, caracterizada pela interligação das comunidades mundiais, por meio das infovias da web, contribuirá para o aperfeiçoamento da democracia?

Ou, se quisermos puxar a questão para o território brasileiro, o que significa a existência no país de 45 milhões de internautas, numero que lhe confere posição destacada no mapa mundial das redes?

Poderemos contar com a melhoria dos padrões políticos, na hipótese de que parcela acentuada do eleitorado começa a socar os primeiros tijolos de uma democracia participativa plugada na eletrônica?

Vale recordar, de início, que a política, desde eras remotas, acompanha os fios da comunicação. Um ente se agarra ao outro, na extraordinária simbiose que amalgama o poder da palavra e a força das ideias.

Na antiguidade, os ideários fluíam pelo gogó e gestual dos governantes, rito de que são ícones Demóstenes (384-322 A C.), político que venceu a gagueira forçando-se a falar com seixos na boca, tornando-se o maior orador grego, e Cícero (106-43 A.C.), advogado e mestre de civismo, famoso também pelo discurso contra o conspirador Catilina e considerado o maior orador romano.

Da Ágora, a praça central de Atenas, e do Fórum romano, o discurso político avolumou-se, saindo do Estado-Cidade para o Estado-Nação, e agregando força na esteira dos ciclos históricos da comunicação: a era Gutenberg no século XV (a descoberta da imprensa, 1440/1550), a Galáxia Marconi (a invenção do rádio, em 1896), que impulsionou a escalada de demagogos como Hitler e Mussolini, até chegarmos ao Estado-Espetáculo, adornado com as luzes televisivas, a partir dos anos 60 e com a imagem esbelta de John Kennedy.

Nesse ciclo, a estética se impõe à semântica e os atores políticos passam a incorporar elementos dramáticos ao desempenho, redundando não raro em performances mirabolantes com a finalidade de cativar e mobilizar as massas.

A política no Estado Moderno ganha operacionalidade com a implantação do governo representativo pela constituição francesa de 1791 (“os representantes são o corpo legislativo e o rei”) e o corpo social faz-se representar por um grupo de pessoas que passam a agir de acordo com a “vontade geral”.

O modelo, porém, começa a receber questionamentos. A crítica era de que o sufrágio universal não teria sido capaz de melhorar a condição de vida de milhões de pessoas. Lançava-se ali a semente da representação de grupos específicos, derivando daí a democracia de grupos e facções, de que são exemplo, na atualidade, os Estados Unidos. Aí, o voto enraíza-se nas localidades, servindo de escudo de grupos e setores.

É também de Bobbio a crítica de que a democracia não tem cumprido suas promessas, entre elas, a educação para a cidadania, justiça para todos e segurança social. Não sem razão, a democracia representativa atravessa tempos continuados de crise, com o desvanecimento de partidos e doutrinas, arrefecimento das bases, declínio dos parlamentos, fatores que, em contraponto, contribuem para fortalecer o Poder Executivo.

É dentro dessa moldura que se encaixa a “civilização eletrônica”. No vazio entre o universo político e a esfera social, emergem novos pólos de poder, a partir das entidades de intermediação social, e ultimamente, das redes sociais.

O portentoso aglomerado que navega na internet é um caleidoscópio do pensamento social, particularmente de segmentos que trafegam no meio da pirâmide (ou do losango, como já se descreve o formato da geometria social brasileira). Encaixa-se na metáfora da pedra jogada no meio do lago, criando marolas que se desdobram até as margens.

Não se nega que a “sociedade eletrônica” vive a infância, época das primeiras descobertas e da curiosidade. Banha-se de águas lúdicas. Daí não se poder ainda falar de democracia participativa, eis que milhares de internautas se valem das redes para enviar mensagens pessoais, postar fotos, divulgar vídeos, baixar músicas, instalar aplicativos e até namorar.

A matéria política, que aparece em conta gotas, indica que o revigoramento do espírito público tem muito caminho pela frente. Por enquanto não dá para apostar no “potencial revolucionário” das tecnologias modernas da informação.

Se o engajamento político da sociedade não adere à dinâmica das redes é porque a esfera representativa também não tem sabido delas se utilizar. O forte da tecnologia eletrônica é a capacidade de gerar interação entre elos do sistema, políticos e eleitores. O que se observa, pelo menos no caso brasileiro, é o uso da web para veiculação unilateral de mensagens, a maioria de caráter autopromocional, a revelar o “chapabranquismo” de nossa política.

Quando o sistema for usado em prol do jogo interativo, poder-se-á acreditar numa base social envolvida com a política. Essa, aliás, parece ter sido a intenção de José Serra ao criar seu site. O tucano dispõe de tempo livre para fustigar as frentes do governo. O risco é o de ficar confinado à gaiola individualista, que, pelo menos até o momento, tem caracterizado a ação dos políticos conectados ao sistema.

Dito isso, vamos à resposta para a questão inicial: as redes sociais podem, sim, vir a melhorar os padrões da política brasileira na medida em que seus participantes façam a lição de casa. A começar pela maneira de entender e operar a tecnologia da informação. Deitar nelas apenas para cochilar, pouco adiantará.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP e consultor político e de comunicação. Twitter @gaudtorquato


FONTE: Blog do Noblat

Programa Minha Casa, Minha Vida promete milhares de unidades, mas especialistas criticam projetos

RIO - Há um ano e meio, as margens da Estrada dos Palmares, na localidade dos Jesuítas, em Santa Cruz, eram um descampado com casas espaçadas. Nos últimos meses, no entanto, surgiram ali dezenas de prédios, com 2.718 unidades, que em breve devem receber cerca de dez mil moradores. Esta mudança está sendo operada pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), do governo federal, que, em parceria com a prefeitura, pretende entregar cem mil unidades no Rio até 2016. Nos próximos dois meses, a expectativa é que 8.718 casas sejam entregues, entre elas as dos Jesuítas, somando 12.450 unidades até o fim do ano, segundo a Secretaria municipal de Habitação.

A chuva de números, no entanto, não impressiona a arquiteta Luciana Correa do Lago, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur/UFRJ). Pelo contrário.

- Estão cometendo os mesmos erros da época do BNH. É uma velocidade de construção nunca vista. Mas, quase sempre, com má qualidade, em terrenos baratos para aumentar o lucro das construtoras, apartamentos de até 42 metros quadrados e distantes dos centros de trabalho e sem transporte - diz Luciana, lembrando que, do fim dos anos 80 até agora, foram mais de duas décadas de hiato de políticas habitacionais federais no Rio.

Transporte é problema para os moradores dos condomínios do Minha Vida da Estrada dos Caboclos, em Campo Grande. Eles começam a se reunir às 3h30m. Na escuridão de uma estradinha, caminham juntos, por mais de meia hora, até um ponto mais movimentado, onde há transporte para o trabalho.

- Aqui é longe de tudo, por isso saímos de madrugada. Nunca tinha ouvido falar da Estrada dos Caboclos antes de vir para cá. Sou de Realengo e gosto de lá. Se pudesse, voltava. Mas a minha casa foi condenada - diz Elisangela do Carmo, de 41 anos, que recebeu o apartamento em Campo Grande de graça, da prefeitura.

No Rio, a administração municipal, assim como o governo estadual, iniciou uma prática, a partir das chuvas de abril de 2010, de comprar unidades do MCMV e doar a moradores de áreas de risco.

No condomínio de Elisangela, ao menos metade das 300 casas está invadida. São pessoas como Rosane Araújo, de 31 anos. Ela conta que, no grupo de invasores, quase todos estavam inscritos no Minha Casa, mas não viam perspectiva de serem beneficiados. Segundo o secretário de Habitação, Jorge Bittar, a ocupação foi coordenada por milicianos:

- Eles invadiram os conjuntos, tiraram pessoas dos apartamentos e as substituíram. Estamos ingressando no Judiciário para a reintegração de posse das unidades invadidas. E acionamos a Polícia Federal.

Os apartamentos da Estrada dos Caboclos fazem parte das 3.781 unidades do MCMV entregues até agora na cidade, segundo Bittar, obedecendo a parâmetros como proximidade da rede escolar e de saúde, ao contrário do que dizem os moradores.

Outras 27.820 unidades estão em construção (12.450 deles para família com renda até três salários-mínimos) e mais 31.337, contratadas. Grande parte na Zona Oeste, que já sente o impacto das construções entre Campo Grande e Santa Cruz.

Na Estrada dos Palmares, Rosenilde Santana Balla, funcionária da Escola Municipal Franklin Távora, calcula que, devido aos empreendimentos do MCMV próximos, já faltam vagas nos colégios da região. Situação, segundo ela, que só tende a se agravar com a chegada dos novos condomínios dos Jesuítas.

Os moradores do condomínio Málaga, com 300 unidades na Avenida Brasil, já sentem os reflexos disso. O síndico Marcos Antonio Coutinho aponta um terreno deixado pela construtora ao lado das casas. Segundo ele, seria destinado a uma escola que nunca saiu do papel, fazendo com que parte das crianças do condomínio tenha que estudar longe. Embora os apartamentos do Málaga tenham sido entregues há um ano (vendidos para famílias com renda de três a seis salários-mínimos), Coutinho lista problemas: asfalto esburacado, postes que ameaçam cair, casas com infiltrações e rachaduras, portas que não fecham e deficiências na drenagem do terreno.

- Uma chuva de 40 minutos deixa os jardins como uma lagoa - completa Coutinho.

Insatisfação também dos moradores dos condomínios Ipê Branco e Ipê Amarelo, em Realengo, que receberam os apartamentos doados pela prefeitura e já veem ladrilhos despencando e infiltrações em suas casas, como contam as irmãs Mônica e Angela Pereira. As duas moravam em Madureira, numa área desapropriada para a ampliação de um parque.

- Até para ir à igreja aqui é difícil. À noite, é uma escuridão sem fim - diz Angela.



Chefão do FMI fica preso em NY por agressão sexual

Le Monde

O diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) , Dominique Strauss-Kahn (DSK), foi detido no sábado 14 de maio no aeroporto JFK em Nova York e posto sob custódia por suposta agressão sexual em um hotel da cidade.

Strauss-Kahn, que se preparava para retornar à França, foi retirado do voo da Air France com destino a Paris alguns minutos antes da partida do avião, de acordo com fontes oficiais.

Segundo o porta-voz da polícia de NY, o diretor do FMI “será acusado de agressão sexual, sequestro e tentativa de estupro”. Ainda esta noite, será levado à presença de um juiz e acusado formalmente, informou o porta-voz.

A notícia de sua prisão foi dada um pouco mais cedo pelo The New York Times (NYT) e rapidamente confirmada por fonte oficial. “O senhor Strauss-Kahn foi retirado de um voo da Air France por agentes da Polícia Aeroportuária de Nova York e de Nova Jersey e entregue a policiais de Manhattan”, escreveu o jornal, citando o porta-voz da Polícia Aeroportuária.

A queixa foi feita por uma arrumadeira de 32 anos, empregada do hotel Sofitel situado no número 45 da rua 44 Oeste, no coração de Manhattan, segundo Paul Browne, porta-voz da polícia de NY.

De acordo com o NYT, “eram 16:45 quando oficiais de justiça da Polícia Aeroportuária de Nova York e Nova Jersey entraram no voo 23 (...) da Air France e levaram o senhor Strauss Kahn já detido”, declarou John Kelly, porta-voz da Polícia Aeroportuária. “Tudo aconteceu 10 minutos antes da hora prevista para a decolagem”, disse o porta-voz citado pelo jornal.

A investigação foi entregue à unidade de vítimas especiais da Polícia de NY, diz o jornal espanhol El País. Os fatos de que é acusado Strauss-Kahn se passaram às 13 horas, hora de NY.

Uma camareira do Sofitel entrou no quarto do diretor-geral do FMI para fazer a arrumação quando este “saiu completamente nu do banheiro e tentou agredi-la sexualmente”. A empregada conseguiu escapar, avisou outros funcionários, que telefonaram para o 911 (telefone da Polícia).

Quando a polícia chegou ao local, Strauss-Kahn já não estava lá. Ao que tudo indica ele saiu às pressas pois os investigadores encontraram no quarto seu celular e outros objetos pessoais. A empregada foi levada para o hospital Roosevelt por conta de ferimentos sem gravidade, disse o porta-voz da polícia de NY.

Ninguém do staff de Strauss-Kahn, nem do FMI, comentou a queixa naquele momento.

Interrogados pela Agência France Press, um porta-voz do FMI e o advogado de Strauss-Kahn em Washington explicaram que não tinham informações sobre o caso.

O NYT afirma que o senhor Strauss-Kahn será defendido pelos advogados William Taylor e Benjamin Brafman. Esse último declarou que ainda não pode falar com seu cliente.

A agenda do diretor do FMI arrisca estar comprometida nos próximos dias. Hoje ele deveria ir para Berlim onde seria recebido pela chanceler Angela Merkel. Na segunda-feira deveria participar de uma reunião com os ministros das Finanças da zona do euro, em Bruxelas, e na quarta-feira faria um discurso no 12º Forum Econômico de Bruxelas, organizado pela Comissão europeia.

No dia seguinte, 19 de maio, o chefe do FMI falaria para uma plateia em um centro de estudos de Washington dedicado à Economia Internacional, o Instituto Peterson, a respeito da “retomada de crescimento e cooperação mundiais”.

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Ameaçado o futuro político de Strauss-Kahn

A prisão de DSK no sábado 14 de maio, em NY, acusado de agressão sexual, poderá interromper a potencial candidatura do diretor-geral do FMI às eleições presidenciais de 2012 na França.

A notícia dada pelo The New York Times (NYT) da detenção do chefe do FMI arrisca tumultuar a campanha presidencial francesa.

DSK aparece bem nas pesquisas de intenção de voto como candidato favorito dos franceses. Ele está na frente do presidente Nicholas Sarkozy, que deve tentar a reeleição.

Após sua temporada em Paris no fim de abril, DSK passou a ser alvo de críticas ácidas de uma parte da imprensa sobre seu modo de vida e patrimônio familiar.

Uma foto que o mostra num Porsche diante de seu endereço em Paris, na Place des Vosges, foi vista como uma falha na comunicação: seus aliados a consideraram “um erro”, um verdadeiro mau passo, com efeito negativo sobre as eleições presidenciais do ano que vem.

Na sexta-feira ele decidiu contra atacar anunciando, por meio de seus advogados, que irá processar o France-Soir. Os adeptos de DSK vêm nessa campanha da imprensa a mão de Sarkozy.

Com sua prisão sábado em NY, a situação de DSK fica muito comprometida. Em 2008, o FMI fizera uma enquete sobre ele em seguida a um caso extra-conjugal com uma ex-funcionária do departamento da África, Piroska Nagy. Ele foi desculpado, mas o FMI o reprovou pelo grave erro de julgamento.

Sua mulher, Anne Sinclair, antiga estrela do jornalismo da cadeia de TV TF1, foi seu principal apoio “virando a página” sobre “a aventura de uma noite”. Esse caso não afetou sua popularidade nas pesquisas eleitorais.

Obrigado a um severo sigilo em razão de suas funções no FMI, DSK se cala sobre suas intenções quanto às eleiçõess presidenciais.

Até hoje, nenhum de seus amigos duvidava que ele se declararia candidato logo depois da reunião de cúpula do FMI em Deauville no fim de maio e após o plano para a salvação da Grecia estar em andamento. Mas esse caso, se as acusações se confirmarem, poderá mudar tudo.

O enfraquecimento de DSK serve a seus potenciais adversários. No último fim de semana algumas pessoas confidenciaram que ele era “o homem a ser abatido”. Descreviam Sarkozy como o “desafiante” na presidencial frente ao superfavorito DSK.

Depois do caso extra-conjugal, a direita aponta o lado sedutor do chefe do FMI como seu calcanhar de Aquiles.

Quando a aventura de uma noite fez tremer o FMI

O conselho administrativo do FMI revelou em outubro de 2008 ter sido encarregado de investigar o caso de DSK com a economista húngara Piroska Nagy, lotada no departamento da África daquela instituição.

O marido de Nagy descobriu o caso acontecido no mês de janeiro de 2008 e informou ao FMI. A instituição contratou um escritório de advogados de Washington para investigar o assunto. A investigação concluiu que o caso aconteceu por mútuo consentimento e que não ocorrera nenhum favoritismo. Concluiu também que da parte de DSK não tinha havido assédio nem promessas de favoritismo ou abuso de poder.

No dia 25 de outubro, o conselho de administração do FMI determinou que DSK fosse mantido em seu cargo, reprovando-o pelo erro de julgamento já que o caso ocupou a primeira página da imprensa internacional.

DSK apresentou suas desculpas aos funcionários da instituição. O caso relativo à vida privada do diretor-geral do Fundo pegou muito mal no momento em que o FMI, que reúne 185 países, multiplicava suas intervenções para conter os efeitos da crise financeira global.

Se não teve consequências para a carreira de DSK e não foi explorado politicamente na França (o primeiro-ministro François Fillon falou em “assunto totalmente privado”), o caso, no entanto, provocou rumores sobre a vida privada de Strauss-Kahn. Na ocasião, ele disse que processaria todos que retransmitissem rumores maldosos.

Em seu blog, a mulher de DSK, Anne Sinclair, escreveu que tinha “virado a página” sobre “a aventura de uma noite” e concluiu: "Nós nos amamos como no primeiro dia."

O apartamento de R$ 7 milhões

Antonio Palocci é realmente um cara muito especial. Além de principal ministro do governo Dilma, é amado pela esquerda, pelo centro, pela direita e vê-se agora que é também um gênio das finanças. Comprar um apartamento de quase R$ 7 milhões à vista, ou praticamente à vista, não é para qualquer um, não...

Palocci multiplica por 20 seu patrimônio

Em 2006, apenas cinco anos atrás, Palocci declarou à Justiça Eleitoral que tinha uma casa de R$ 56 mil em Ribeirão Preto, onde fora prefeito junto com aquela turma da pesada que ele e o amigo, depois ex-amigo e agora amigo novamente Rogério Buratti lideravam.

Além disso, tinha um terreno e três carros, entre outros bens, num total de R$ 375 mil. Convenhamos que, nesse tempo, o patrimônio se multiplicou que foi uma beleza. De classe média, o homem pulou para a categoria dos ricaços --aquela que, aliás, tanto o apoia. Ele, enfim, está em casa. Ou melhor, no seu apartamento...

Palocci também aprende rápido. Como viu a dor de cabeça que dá ter uma casa esquisitona em Brasília, desta vez preferiu comprar um apartamentão em São Paulo, cidade muitas vezes maior, mais diluída, mais anônima, sem nenhum caseiro abelhudo para dar com a língua nos dentes.

O azar do é que esses repórteres da Folha são mesmo de amargar. Os craques Andreza Matais e José Ernesto Credendio estavam de olho, puxaram o fio da meada e entregaram o novelo na edição da Folha deste domingo. Imperdível.


Fonte:Folha de SP

Palocci multiplicou por 20 patrimônio em quatro anos

Chefe da Casa Civil comprou apartamento de R$ 6,6 milhões antes de assumir

Imóvel foi registrado em nome de empresa que ministro criou para dar consultoria quando era deputado federal




ANDREZA MATAIS,JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
DE BRASÍLIA

Semanas antes de assumir o cargo mais importante do governo Dilma Rousseff, o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) comprou um apartamento de luxo em São Paulo por R$ 6,6 milhões.
Um ano antes, Palocci adquiriu um escritório na cidade por R$ 882 mil. Os dois imóveis foram comprados por uma empresa da qual ele possui 99,9% do capital.
Em 2006, quando se elegeu deputado federal, Palocci declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio estimado em R$ 375 mil, em valores corrigidos pela inflação. Ele tinha uma casa, um terreno e três carros, entre outros bens.
Com o apartamento e o escritório, Palocci multiplicou por 20 seu patrimônio nos quatro anos em que esteve na Câmara -período imediatamente posterior à sua passagem pelo Ministério da Fazenda, no governo Lula.
Nos quatro anos em que exerceu o mandato de deputado, Palocci recebeu em salários R$ 974 mil, brutos.
A quantia é insuficiente para pagar os dois imóveis que ele adquiriu. Os dois já foram quitados, de acordo com documentos aos quais a Folha teve acesso.
Procurado pela reportagem, Palocci disse que as compras foram feitas com recursos da sua empresa, a Projeto Administração de Imóveis. O ministro da Casa Civil não quis identificar seus clientes nem informou o faturamento da empresa.
Palocci abriu a Projeto com sua mulher, Margareth, no dia 21 de julho de 2006, duas semanas depois de encerrado o prazo que tinha para entregar sua relação de bens à Justiça Eleitoral. Por esse motivo, a empresa não apareceu na declaração.

CONSULTORIA
Segundo os registros da Junta Comercial, a Projeto foi criada como consultoria e virou administradora de imóveis dois dias antes de Palocci chegar à Casa Civil. O ministro disse que os dois imóveis que comprou são os únicos que a Projeto administra.
A empresa tem como sede o escritório que Palocci comprou antes do apartamento.
Ele foi adquirido em 11 de dezembro de 2009 e fica num prédio na região da avenida Paulista, uma das áreas mais valorizadas da capital.
O apartamento fica perto dali, nos Jardins, bairro nobre da zona sul. Ocupa um andar inteiro do edifício, tem quatro suítes e 502 metros quadrados de área útil, mais cinco vagas na garagem.
Palocci comprou o apartamento direto da construtora e pagou o imóvel em duas parcelas, uma de R$ 3,6 milhões e outra de R$ 3 milhões.
A propriedade foi registrada no nome de sua empresa em 16 de novembro de 2010.
Segundo vizinhos, Palocci mora atualmente no apartamento. Os moradores do prédio pagam taxa de condomínio de R$ 3.800 mensais.

"POUCOS BENS"
Ao assumir, todo ministro deve informar seus bens à Controladoria-Geral da União e ao Tribunal de Contas da União, além de autorizar o acesso às suas declarações de Imposto de Renda.
Palocci disse à Folha que encaminhou à Comissão de Ética da Presidência da República todas as informações sobre a Projeto e as propriedades que a empresa tem.
Na autobiografia "Sobre Formigas e Cigarras", lançada em 2007, Palocci se descreveu como um homem de "poucos bens" e manifestou "indignação" com "boatos" que circularam sobre suas finanças pessoais no passado.
Palocci deixou o cargo de ministro da Fazenda em março de 2006, depois de se envolver no escândalo da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que trabalhou numa casa que Palocci frequentava com amigos e lobistas em Brasília.
Em 2006, o ministro vivia numa casa em Ribeirão Preto, no interior paulista. Em sua declaração à Justiça Eleitoral, ele estimou em R$ 56 mil o valor da casa, que ainda pertence a Palocci. Corretores da cidade calculam que o imóvel vale R$ 550 mil hoje.

Colaborou ARARIPE CASTILHO, de Ribeirão Preto

FONTE: Folha de SP

Pré-candidato republicano desiste de concorrer nos EUA

Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas, disse neste sábado que não será candidato à nomeação republicana para a presidência em 2012, diz o jornal "New York Times".

O anúncio já era aguardado devido a indícios contraditórios dados por Huckabee nos últimos dias.

"Todos os fatores dizem para ir, mas meu coração diz não, e essa é a decisão que eu tenho de tomar", afirmou perto do final do seu programa na Fox News, "Huckabee".

Apesar de ter bons índices nas pesquisas entre os republicanos, Huckabee mostrava estar em dúvida entre correr atrás da vaga de opositor a Obama ou continuar com seu programa de entrevistas na Fox News, considerada principal veículo da direita americana na televisão.

Com a desistência de Huckabee, os possíveis candidatos republicanos para concorrer contra Barack Obama em 2012 são Mitt Roomney, ex-governador do Massachussetts, Tim Pawlenty, ex-governador de Minnesota, Newt Gingrich, que já foi presidente da Câmara dos Representantes e Haley Barbour, governador do Mississipi.


FONTE: Folha de SP

sábado, 14 de maio de 2011

PSDB DE SÃO PAULO DEFINE COMISSÃO EXECUTIVA

Integrantes do Diretório Estadual do PSDB de São Paulo completaram a escolha dos membros da Comissão Executiva do partido, que acompanhará o novo presidente, deputado estadual Pedro Tobias, para um mandato de dois anos.

Na Convenção Estadual, realizada no último sábado (dia 7), além do presidente, o único nome estava definido era o do Líder da Bancada, deputado estadual Orlando Morando.

Na noite dessa quinta-feira (12.05), os nomes dos demais membros da Executiva Estadual foram escolhidos, em reunião que aconteceu na sede do Diretório Estadual.

Estiveram presentes ao ato deputados federais e estaduais, prefeitos e vice-prefeitos, vereadores, secretários, militantes, além do ex-governador José Serra e do governador Geraldo Alckmin.

Confira como ficou a Executiva Estadual do PSDB-SP:

Presidente: Pedro Tobias

1º Vice-presidente: Vanderlei Macris

2º Vice-presidente: Mauro Bragato

3º Vice-presidente: Marco Antonio Vieira de Campos

Secretário-Geral: César Gontijo

Secretário: Luiz Fernando Machado

Tesoureiro: Felipe Sigollo

Tesoureiro Adjunto: Ieda Areias

Líder da Bancada: Orlando Morandoi

Vogais:

Antonio de Souza Ramalho

Bruno Covas

Clóvis Pinto

Edson Aparecido

Eduardo Cury

Evandro Losacco

Miguel Haddad

Geraldo Vinholi

João Guariba

Suplentes:

Fernando Fernandes

Flávio Chaves

Matilde da Costa

Rogélio Barcheti

Toshio Misato


FONTE: Tucano.org

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Bruno Covas é eleito para a nova executiva estadual do PSDB

Na noite desta quinta-feira, dia 12, o diretório estadual do PSDB se reuniu na sede do partido e elegeu a nova executiva estadual que será presidida pelo deputado Pedro Tobias.

Bruno Covas é um dos eleitos para a executiva que comandará o partido no próximo biênio. “O nosso trabalho será o de organizar o partido para as eleições municipais de 2012. Vamos aumentar o número de prefeitos e vereadores em todas as regiões do Estado”, disse Bruno Covas.


quarta-feira, 11 de maio de 2011

Aloysio Nunes cobra, mas ministro da Fazenda não assegura medidas concretas contra inflação

Alguém está surpreso? Relatório evidencia cumplicidade de Venezuela e Equador com as Farc

No Estadão Online, com informações da Efe.
O governo da Venezuela teve apoio das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em sua estratégia de segurança, depois do golpe de Estado realizado em 2002, sem sucesso, contra o presidente Hugo Chávez. A informação foi divulgada em Londres nesta terça-feira, 10, pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês), que reuniu em um relatório documentação das Farc.

Entre as principais conclusões do relatório no que se refere à relação entre a Venezuela e as Farc, o IISS apurou que o governo Chávez teria permitido que o grupo operasse em território venezuelano. Além disso, o presidente teria oferecido ajuda às Farc em dinheiro. Segundo a AFP, Chávez teria prometido “300 milhões de dólares” ao grupo guerrilheiro em 2007.

O presidente venezuelano teria ainda, de acordo com o relatório, pedido aos guerrilheiros que “treinassem grupos paramilitares para ‘defender a revolução’ de outros golpes de estado ou invasões externas”, segundo o autor do estudo, James Lockhart Smith.

Smith disse, no lançamento do relatório, em Londres, que é necessário colocar a revelação em um “contexto estratégico”. “Depois do golpe de abril de 2002, o regime (de Caracas) se aterrorizou, porque notou que o golpe esteve perto de ter sucesso, e porque viu também que não podia contar com a lealdade das Forças Armadas”, explicou.

Equador
De acordo com a AFP, o presidente do Equador, Rafael Correa, “pediu” e “aceitou” fundos das Farc durante a campanha eleitoral de 2006. O documento do IISS relata que “os arquivos (apreendidos) e outras fontes sugerem que Correa solicitou pessoalmente e aceitou fundos ilegais das Farc na sua primeira campanha eleitoral em 2006″. Ainda segundo o relatório, “o respaldo político e financeiro da guerrilha teve um papel decisivo para garantir a ele (Correa) a vitória”.

Apreensão de documentos
O IISS desenvolveu um estudo detalhado sobre a evolução do grupo conhecido como Farc-EP (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia - Ejército del Pueblo), ou simplesmente Farc.O levantamento foi feito com base em informações do grupo, apreendidas pelo Exército colombiano durante uma incursão em território equatoriano em 1 de março de 2008. Na operação, o líder guerrilheiro Luis Edgar Devía Silva, conhecido como “Raúl Reyes”, foi morto.

Segundo a Efe, entre o material apreendido na ocasião havia oito “dispositivos de memória” e documentos históricos das últimas três décadas sobre as Farc. O diretor do IISS para Ameaças Transnacionais e Risco Político, Nigel Inkster, disse que o governo colombiano solicitou ao organismo uma análise do material, depois de uma verificação feita pela Interpol de que os documentos não haviam sido manipulados.

Alckmin assina acordo com supermercados para extinção das sacolas plásticas




A distribuição de sacolas plásticas derivadas de petróleo está com os dias contados nos supermercados paulistas. Um acordo assinado nesta segunda-feira, 9, entre o governador Geraldo Alckmin, o presidente da APAS - Associação Paulista de Supermercados, João Galassi, e o secretário do Meio Ambiente, Bruno Covas, prevê que até o final do ano os supermercados deixarão de entregar as sacolas derivadas de petróleo ao consumidor. O objetivo é estimular a utilização de sacolas permanentes, como a tradicional "sacola de feira', reduzindo, assim, o descarte de plástico no meio ambiente. A Assinatura aconteceu durante da APAS 2011 - 27º Congresso de Gestão e Feira Internacional de Negócios em Supermercados, na capital.

“Assinamos aqui o decreto dando uma dilatação de 30 dias de prazo para recolhimento do ICMS dos negócios aqui gerados. Assinamos também um protocolo para gradualmente substituir o saco plástico por uma sacola biodegradável ou retornável, que é até o ideal. E assinamos também com o Centro Paula Souza, a criação de uma Fatec inovadora para tecnólogo na área de gestão e cursos rápidos, o Via Rápida para o Emprego, para manipulador de carne, hortifruti, operador de caixa, repositor de produtos, enfim, empregos que hoje o mercado precisa”, afirmou o governador.

Pelo acordo, os supermercados promoverão campanha nos próximos meses para estimular a mudança de hábito do consumidor, conscientizando-o para a necessidade de utilizar outros meios para o transporte das compras antes de cessar a distribuição de sacolas. A meta da iniciativa, apoiada pelo setor, é atender uma demanda da sociedade, que está cada vez mais atenta às questões ambientais.

À Secretaria do Meio Ambiente caberá esclarecer, por meio de sua rede de educação ambiental, o prejuízo causado pelo uso das sacolas descartáveis derivados de petróleo. A expectativa é atingir - com informações, sugestões e dicas - as escolas da rede estadual e os órgãos que compõem o Governo.

Se optar pela sacola descartável, o consumidor terá de arcar com o custo de produção da embalagem ecologicamente correta comercializada como alternativa às sacolas de plástico. Feita a partir de amido de milho, ela se desfaz em até 180 dias em usina de compostagem e em dois anos em aterro e estará disponível nos supermercados com valor estimado em R$ 0,19.

O objetivo é estimular o uso de sacolas retornáveis (como as de feira), ecobags (reutilizável e feita em material renovável), carrinho de feira, caixa de madeira ou mochila. Alternativas cujo custo é zero.

O País já produz mais de 500 mil toneladas anuais de plástico filme (matéria-prima das sacolinhas plásticas), produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD), resultando na produção de 135 bilhões de sacolas. Calcula-se que cerca de 90% desse material, com degradação indefinida, acaba servindo de lixeiras ou viram lixo. Em São Paulo, o consumo mensal está na casa dos 2,4 bilhões, o que corresponderia, em uma conta simplificada, a 59 unidades por pessoa.

O uso das atuais sacolas plásticas descartáveis traz diversos impactos ambientais. Além de ocupar espaço nos aterros, sua produção utiliza grande volume de água e gera resíduos industriais. Há ainda o uso inadequado e descarte na rua, o que leva o material às galerias e bueiros. Isso causa entupimentos e enchentes, polui a água e o solo e traz prejuízo à vida de animais marinhos.

Evolução

Quem acompanha a evolução dos debates não se surpreende com a medida: o tema vem sendo amplamente debatido com o governo e setores da sociedade civil desde 2007, quando a Prefeitura de São Paulo lançou uma campanha para que os paulistanos reduzissem o uso de sacolas plásticas. Já naquela oportunidade, a APAS apoiou a ideia, que visava estimular que o consumidor fosse às compras munidos de sua própria sacola, de pano, de lona, palha, TNT ou de qualquer outro material não-descartável.

No ano passado, em Jundiaí, foi implantando um projeto piloto em acordo com a prefeitura local, os supermercadistas e a associação comercial da cidade. A medida, que não tem força de lei, aboliu as sacolas plásticas nos supermercados da cidade, oferecendo como alternativa sacolas biodegradáveis compostáveis, feitas de amido de milho, além das sacolas permanentes. Houve uma adesão de 95% dos empresários locais e aprovação de 75% da população, de acordo com pesquisas divulgadas. Em seis meses, mais de 240 toneladas de resíduos deixaram de ser geradas.

O sucesso no projeto de Jundiaí despertou o interesse de outras cidades, que passaram a estimular o uso de soluções alternativas, e também do governo de São Paulo, por meio da Secretaria do Meio Ambiente, que pretende estimular a iniciativa em todo o Estado.

A restrição surge num momento em que a sociedade percebe que não pode ignorar a questão ambiental - um processo de conscientização da população que já acontece em muitos países.

Na Itália e na França, só a distribuição de sacos biodegradáveis é autorizada. Para desestimular o consumo, Alemanha, Dinamarca, Irlanda, África do Sul, partes da Austrália e China proíbem a distribuição gratuita de sacolas. Bangladesh proibiu as sacolas em 2002, após diagnosticar que o entupimento de bueiros por plástico causou grandes inundações no país

terça-feira, 10 de maio de 2011

A energia atômica e o Brasil

*José Aníbal

Com a catástrofe no Japão, a energia nuclear voltou ao centro do noticiário depois de anos distante dos holofotes. Não faz muito tempo, houve quem defendesse seu uso devido às suas ‘vantagens’ socioambientais: além de ‘segura’, a energia nuclear parecia ambientalmente sustentável, na medida em que não emite CO2.

Em qualquer outra circunstância, seria prudente ressaltar que momentos dramáticos como este são impróprios para discussões calcadas na racionalidade. De todo modo, é fato que o mundo todo passou a rever seus protocolos de segurança. E também suas alternativas energéticas. Convenhamos, não se trata de uma escolha fácil.
Por um lado, os evidentes danos ambientais do uso do petróleo, somados à carestia e às tensões geopolíticas que sua virtual escassez provoca impedem que ele continue sendo visto como uma alternativa realista. Por outro lado, devido a contingências geológicas, materiais e humanas imprevisíveis, a energia atômica jamais será 100% segura.
O alto rendimento da fissão nuclear, que gera grandes quantidades de energia a partir de uma pequena porção de combustível atômico, faz dela algo atrativo para países com limitações de espaço, de clima e de recursos naturais. Viabilizar economicamente tecnologias energéticas limpas em larga escala me parece o único caminho verdadeiramente sustentável.
No entanto, no caso brasileiro especifi camente, o bom senso se impõe à discussão. É irracional levar adiante um plano de expansão de usinas nucleares num país riquíssimo em recursos hídricos como o Brasil, com vastos campos para o cultivo de biocombustíveis, com 300 dias de sol por ano e com uma costa de oito mil quilômetros banhada pelos ventos atlânticos.
Nossa capacidade hidrelétrica segue em expansão, e ainda há centenas de pequenas centrais hidrelétricas a serem exploradas, como em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Basta visitar o Rio Grande do Norte e o Ceará para se ter uma ideia de como a energia eólica já é uma realidade. Em pouco tempo, a energia solar também será viável em grande escala. Se não bastasse, só no estado de São Paulo temos bagaço de cana suficiente para gerar tanta eletricidade quanto Itaipu.
Não vale a pena entrar no mérito da defesa econômica da energia nuclear. Sob todos os aspectos, ela não pode ser prioritária num país como o Brasil. Já do ponto de vista estratégico, argumento central do governo, acho ainda mais irrelevante a defesa da expansão das usinas atômicas.
Para uso pacífico, a energia atômica não nos é vantajosa. Para uso militar, é impossível, devido aos protocolos internacionais de não proliferação de armas nucleares com os quais a sociedade brasileira se comprometeu. Aliás, a tradição pacifista e multilateralista da Política Externa brasileira nos últimos 100 anos torna tal discussão naturalmente um disparate.
O argumento segundo o qual o domínio da cadeia tecnológica da energia nuclear é ‘estratégico’ para a soberania nacional também é frágil. Na era da informação, das redes sociais, do tempo real, do encurtamento das distâncias, o domínio da tecnologia de telecomunicações e de supercondutores, por exemplo, me parece ter um apelo estratégico bem mais plausível. Além do mais, a soberania de um país se conquista com democracia.
Devíamos estar discutindo o aprimoramento da segurança nas plataformas de petróleo brasileiras. Como mostrou o jornalista Luiz Maklouf Carvalho, em edição recente da revista Piauí, as falhas nos planos de emergência durante as simulações de acidentes nas plataformas brasileiras são preocupantes – sobretudo com os desafios do pré-sal. O acidente no Golfo do México nos serve de alerta.
O Brasil devia estar debatendo a descentralização do planejamento energético, para que cada Estado possa utilizar livremente suas potencialidades, gerando energia abundante e limpa. O verdadeiro interesse deveria recair sobre as fontes alternativas, o cumprimento das metas de redução de CO2, a eficiência energética, o fim dos gargalos na transmissão e na distribuição.Link
No entanto, é preciso equilíbrio neste momento, sobretudo em respeito ao sofrimento do povo japonês. Seria inapropriado reduzir o pesadelo atômico a uma discussão política mesquinha. Porém, é preciso apontar a irracionalidade da expansão da energia atômica num país como o Brasil. Todas as justificativas em sua defesa se assentam numa visão de mundo ultrapassada.

* Economista, deputado federal e ex-presidente nacional do PSDB. Atualmente, é secretário de Energia do estado de São Paulo

FONTE: REVISTA VOTO

Vale-tudo contra a inflação

Vai mal um país que precisa importar porcas e parafusos. Vai muito mal um país cuja maior empresa vira um joguete nas mãos do governo de turno. Vai de mal a pior um país que tem de usar mecanismos tão díspares para conter um problema que seus próprios governantes, oportunisticamente, geraram. Vai mal o Brasil diante da inflação.

Facilitar a importação de componentes e abusar da Petrobras tornaram-se armas da gestão Dilma Rousseff para segurar os preços no país. Atira-se para todo lado. O governo está tendo de apelar para todo o tipo de arsenal depois que sua política anti-inflacionária de laboratório foi fazendo água. Vai, assim, impingindo custos adicionais e muitas vezes desnecessários à sociedade.

É o que está ocorrendo, por exemplo, com a Petrobras. O ministro Edison Lobão avisou ontem que vai usar a BR Distribuidora, subsidiária da estatal, para "forçar a queda dos preços dos combustíveis aos consumidores finais", informa O Globo em manchete. Ele considera que, agindo assim, pode quebrar a espinha de um "um processo de cartelização" que estaria em marcha no setor.

É fato que os custos do etanol e da gasolina têm ajudado a empurrar a inflação para cima. Juntos, subiram 6,53% em abril e levaram o IPCA acumulado em 12 meses a romper o teto da meta estipulada pelo Banco Central. Mas é igualmente verdade que os aumentos aberrantes têm muito mais a ver com a ausência de uma política clara de combustíveis no país.

O ciclo funciona mais ou menos assim. Com base nas condições de mercado, os usineiros definem o que vão produzir com a cana: ora etanol, ora açúcar. Neste ano, o mercado estava um doce e a maior parte da garapa foi usada para fabricar açúcar. A oferta de etanol, então, diminuiu, os preços dispararam e o país teve de buscar combustível até nos EUA. Como gasolina tem álcool anidro na sua composição, o efeito se estende a ela.

O governo assiste, impotente, às decisões dos usineiros. Mas usa, prepotente, a Petrobras para tentar conter os preços na economia, uma vez que combustíveis são insumo básico de qualquer custo. A presidente da República e seu ministro da Fazenda recusam-se a permitir que a companhia reajuste seus preços, mesmo o barril de petróleo já tendo subido 22% no ano.

A manipulação da Petrobras como instrumento anti-inflacionário tem custado caro à empresa. Estima-se que, por não ter elevado os preços da gasolina e do óleo diesel na proporção em que as cotações de petróleo aumentaram no mercado internacional, a estatal tenha perdido R$ 1,65 bilhão neste ano.

Sofrem também os acionistas da companhia, entre eles os 310 mil que investiram parte de seu FGTS em seus papéis em 2000. Neste ano, suas ações já caíram 8,92% e são uma das principais razões para o fato de a Bovespa ser a bolsa com pior desempenho no mundo em 2011.

O índice Bovespa retrocedeu aos níveis de agosto de 2008 e acumula queda de 6,76% no ano. No mesmo período, o índice americano Standard & Poor's 500 subiu 7,05%. A bolsa brasileira perde até mesmo em relação aos países emergentes, cuja alta média é de 0,96% no ano, compara o Valor Econômico.

Os analistas têm uma palavra empolada para tratar do problema da Petrobras: governança. Em linguagem simples, significa que, como acionista majoritário, o governo está metendo o bedelho na empresa e atravancando sua gestão. Subir ou não o preço do produto que vende deveria ser decisão empresarial, mas no Brasil petista não é.

Num ambiente desta natureza, procedimentos negociais e processos decisórios ficam muito mais sujeitos a humores político-partidários. Empresa assim não funciona bem, gasta mais, rende menos. O mesmo fantasma assombra a Vale, cujos papéis estão igualmente em baixa no mercado depois que o governo defenestrou o executivo responsável por levar a companhia a lucrar como nunca. Suas ações já caíram 6,55% em 2011.

Não bastasse isso, O Globo também informa que "o governo já recorre às importações para evitar altas ainda mais elevadas de preços em geral, mesmo reconhecendo que sua escolha pode impor sacrifícios ao crescimento da economia". Será facilitada a compra no exterior de itens como algodão, porcas e parafusos. O aço pode ser o próximo a ter tarifa de importação reduzida.

É legítimo que o governo busque alternativas para combater o mal maior da inflação. O que não cabe é a adoção de medidas cada vez mais conflitantes. Com a escalada de preços, o PT vai conseguindo pôr o Brasil na incômoda companhia de países onde o descontrole já é total e onde o poder do Estado tornou-se tentacular, como a Argentina e a Venezuela. Talvez esteja se materializando, por vias transversas, o sonho da nossa diplomacia companheira.

Brechas para a corrupção nas obras da Copa

(* ) Por Duarte Nogueria

A realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil tem grande importância por vários motivos – além, é claro, por realizar o sonho dos brasileiros, apaixonados por esporte, especialmente o futebol. As atenções de todo mundo estarão voltadas para o nosso país e para o nosso potencial turístico, grandes investimentos serão realizados fazendo a roda da economia girar. Os dois eventos são um grande negócio para o Brasil.

O mundo inteiro sabe que seremos o país-sede da Copa desde outubro de 2007. E só agora, quase quatro anos depois e há pouco mais de três anos para o evento, o governo brasileiro começa a se mexer – e de forma atabalhoada – para fazer as obras de infraestrutura enfim saírem do papel.

O atraso tornou-se mais evidente depois que o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou estudo com uma preocupante conclusão: dos 13 aeroportos que precisam de reforma/ampliação para a Copa, nove não ficarão prontos até lá. Para tentar recuperar o tempo perdido, o governo quer flexibilizar a Lei de Licitações.

Já tivemos algumas tentativas. Em uma delas, o governo enxertou as novas regras na Medida Provisória que criou a APO (Autoridade Pública Olímpica), aprovada em fevereiro. A oposição, mesmo com a dificuldade de ser minoria, barrou a alteração. Em nova investida, a base governista embutiu o RDC (Regime Diferenciado de Contratações Públicas) na MP 521, que originalmente dispõe sobre as atividades do médico-residente e sobre gratificação de servidores da Advocacia-Geral da União.

O relatório da MP 521 foi lido no plenário da Câmara na última quarta e dever ser votada na próxima terça-feira, dia 10. Abre brechas para a corrupção. Há vários pontos sobre os quais não concordamos, mas vamos apontar três deles. O RDC adota a contratação integrada, em que a empresa vencedora da licitação entregará a obra pronta, sem a necessidade de projeto executivo básico.

A Lei de Licitações exige o projeto básico aprovado e disponível para verificação. Nele existem os elementos necessários para se fazer o orçamento detalhado da obra. Sem ele, a empresa pode orçar a obra com materiais de primeira para elevar o custo e depois poderá entregá-la com materiais mais baratos.

Um segundo ponto: quando o vencedor da licitação não assinar o contrato ou dele desistir, o segundo colocado poderá ser contratado pelo preço que ofereceu. Pela Lei de Licitações, a empresa segunda colocada poderá assumir a obra, desde que a execute nas condições e preço oferecidos pelo vencedor. Ou seja, na desistência da primeira colocada, a obra ficará ainda mais cara. Essa é uma outra porta aberta para irregularidades.

O terceiro ponto é que a MP não estabelece limites para os aditivos nos contratos. Isso poderá permitir que uma obra custe muitas vezes mais do que o previsto inicialmente.

Não somos contra a realização da Copa do Mundo. Pelo contrário: queremos que o Brasil faça bonito no evento. O governo se manteve inerte esse tempo todo e agora quer que as obras sejam feitas a qualquer preço. A sociedade precisa saber o que está acontecendo. O rombo poderá ser muitas vezes maior do que o do Jogos Pan-Americamos.

(*) Líder do PSDB na Câmara dos Deputados.

FONTE: LIDERANÇA DO PSDB NA CAMARA

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Aloysio Nunes: Brasil vive uma ditadura branca

VEJA - Passaram-se apenas três meses dos oito anos que Aloysio Nunes Ferreira ficará no Senador Federal, mas uma tradição da Casa já se tornou insuportável para o parlamentar do PSDB: a edição de medidas provisórias pelo governo e a sua aprovação quase instantânea por uma esmagadora base governista. Na semana passada, Aloysio e outros senadores da oposição deixaram o plenário em sinal de protesto contra a aprovação de uma MP que tratava de uma salada de dez itens.

Em entrevista ao site de VEJA, o senador paulista demonstra preocupação com o espaço que os caprichos do Executivo ocupam na agenda do Congresso. “Pouco a pouco está se instalando no Brasil uma ditadura branca. A maioria vota, sem questionar, as coisas mais absurdas. E pelos procedimentos mais absurdos”, afirma. “O Legislativo está cada vez mais subordinado ao Executivo.”

Aloysio fala ainda sobre a crise no PSDB de São Paulo e critica atitudes do presidente nacional do partido, o deputado Sérgio Guerra. Para o senador, se quiser estancar a guerra interna, a nova direção tucana precisa reunir em seus quadros os três presidenciáveis da legenda – Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin. E Aloysio acrescenta: as articulações para eleger o novo presidente do partido não vão bem.

Abaixo, os principais trechos da entrevista:

Na semana passada a oposição abandonou o plenário durante a votação de uma medida provisória em protesto ao enxerto de propostas dentro das MPs. Por quê?

O governo editou uma medida provisória que trata de dez itens absolutamente díspares entre eles. A lei complementar 95 de 1998 disciplina como devem ser elaboradas as leis. Por isso, a chamamos de lei das leis. E ela veda esse saco de gatos. Levei essa questão ao relator Renan Calheiros, no dia da votação, e ele não soube explicar. Disse que, em comum, todos os itens eram de interesse nacional. Se é assim, por que não põe Código Penal, concurso de miss? É um escárnio, uma afronta.

O governo usou a mesma estratégia para propor o regime diferenciado para contratação de Obras da Copa e das Olimpíadas, na Câmara.

Sim, a MP tratava do trabalho de médicos residentes, mas a base do governo, com apoio da Presidência, enfiou ali regras excepcionais para licitação de obras na Copa. Vai ser a porta aberta para corrupção, superfaturamento e esculhambação, o mesmo que aconteceu no Panamericano do Rio de Janeiro.

A base argumenta que não haveria tempo para fazer as obras pelo trâmite normal. Há quanto tempo se sabe que o Brasil vai sediar a Copa?

É possível sim fazer rapidamente e respeitando a lei. A flexibilização é porta aberta para a roubalheira. Essa MP propõe uma mudança nas regras da Lei de Licitações. É, na prática, a revogação da Lei de Licitações porque, evidentemente, o que valer para a Copa vai valer para o resto. Onde passa um boi passa uma boiada.

Apesar do protesto da oposição, as MPs foram aprovadas no Senado. Como os senhores pretendem barrar outras propostas semelhantes?

Uma vez promulgada a lei, vamos entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF). Estamos em uma guerra de guerrilhas. A edição dessas MPs de alhos com bugalhos constrangem até na base do governo. Tanto é que dez senadores se recusaram a relatar a medida provisória da semana passada. Sobrou para Renan Calheiros.

Qual o impacto de tantas MPs no trabalho do Legislativo?

Pouco a pouco está se instalando no Brasil uma ditadura branca. A maioria vota, sem questionar, as coisas mais absurdas. E pelos procedimentos mais absurdos. Às vezes o problema não está no conteúdo, mas no procedimento. Na democracia, na vida das instituições, a forma é tudo. Quando você desrespeita as normas você abre a porta para abusos.

O senhor já foi deputado federal e agora voltou ao Congresso como senador. Que avaliação faz do Legislativo brasileiro hoje?

O Legislativo está cada vez mais subordinado ao Executivo. Havia no Senado, na legislatura passada, uma diversidade de opiniões que não existe mais. Lula se empenhou pessoalmente em promover nos estados a derrota nas urnas de porta-vozes da oposição que o incomodavam, como Artur Virgílio, Tasso Jereissati, Mão Santa, Heráclito Fortes e Marco Maciel.

Dilma prometeu, na abertura do ano legislativo, apresentar ao Congresso propostas de mudanças na previdência e no sistema político. Como isso vem se dando?

Até agora ela sequer se deu ao trabalho de elaborar um rascunho sobre elas. Não temos nem esboço do que o governo está pensando. O Legislativo vota só medidas de varejo, consubstanciadas em medidas provisórias. Problemas sérios, que demandam mudanças estruturais, são deixados de lado. Nas comissões há debates, mas a atividade do plenário é paupérrima. Só se vota medida provisória.

O que acontece no caminho entre as comissões e o plenário?

A barreira é o governo e sua maioria. Discute, discute, mas não vota.

A reforma política é uma das discussões travadas. O senhor propôs a adoção no Brasil do voto distrital. Acha que a medida pode ser votada a tempo das eleições municipais do ano que vem?

Acho possível sim. Minha proposta é o voto distrital puro na eleição de vereadores nos municípios com mais de 200.000 eleitores. São 80 cidades, onde moram 40% dos brasileiros. Cada cidade seria dividida em distritos e cada região elegeria o seu representante. Isso aproxima o eleitor do eleito e aumenta a legitimidade do sistema político, que vem se perdendo aceleradamente.

Por quê?

O Congresso Nacional recebeu o carimbo de instituição desvinculada do povo. Fatos negativos vêm acontecendo desde o escândalo dos anões do orçamento. Além disso, a política está se distanciando dos temas que interessam ao cidadão comum. Esse foi o argumento central do artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que deveria servir de roteiro para a ação do PSDB.

O PSDB esqueceu disso nos últimos anos?

Não foi só o PSDB. Foi o conjunto do sistema político.

A inflação é um tema que interessa aos brasileiros. Como o senhor avalia a atuação do governo para controlá-la?

Vamos mal. O presidente do Banco Central jogou a toalha ao dizer que só vamos chegar no centro da meta ano que vem, ou seja, até lá a inflação seguirá acima do que deveria. O governo não tem um diagnóstico claro nem medidas coerentes para se livrar desse círculo em que está preso, de juros, câmbio e inflação.

O ministro da Fazenda argumenta que a inflação é um reflexo inevitável do crescimento do Brasil.

O governo turbinou a demanda, mas não cuidou de investimentos necessários para satisfazer essa demanda. Por outro lado, o governo contribui para a inflação com gastos excessivos e com a política de acumulação de reservas, que aumenta o endividamento público.

O PSDB defende a redução dos juros. Mas, num momento de inflação, seria responsável diminuir a taxa básica?

Olha, subir juros não arrefece a inflação. Só aumenta a dívida pública. No mundo real ninguém toma empréstimo a taxa Selic.

Até 2010 a economia ia bem, o que contribuiu para a eleição de Dilma Rousseff presidente. Qual foi o fator determinante para a derrota do PSDB nas eleições daquele ano?

Lula. Ele foi nosso adversário real. A população queria a continuidade, a campanha eleitoral foi conduzida em afronta absoluta às regras da prudência econômica, com gastança eleitoral, começou dois anos antes da eleição e a popularidade de Lula colocou Dilma em evidência. Ao longo da eleição, ela revelou qualidades, afinal ninguém elege um poste se ele não tiver a mínima capacidade de dar luz.

Não há nada a rever na estratégia do PSDB?

Claro que nossa estratégia tem de ser aprimorada, afinal perdemos três eleições. Temos problemas sérios no Nordeste, onde se concentra uma parcela importantíssima do eleitorado. Há estados do Nordeste em que temos de começar do zero. Nossas lideranças foram dizimadas e são pessoas com qualidade para reerguer o partido, como Tasso Jereissati. Temos de retomar o partido em lugares em que ele saiu muito abalado dessas eleições: Amazonas, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia.

Qual o papel da presidência nacional do PSDB nessa organização?

Precisamos montar uma direção política que busque a unidade do partido, que seja resultado de um processo de unificação do partido, de todas as correntes, que todas as lideranças mais importantes estejam representadas e com funções relevantes a cumprir. Além disso, temos de trabalhar nossa plataforma política para o Brasil. E não adianta começar a seis meses da eleição.

O senhor identifica alguém que personifique essa unidade interna?

Não, tem de ser um coletivo. Claro que seria um luxo ter Fernando Hernique como presidente do partido. Seria maravilhoso para o PSDB, mas não sei se seria bom para ele, se ele estaria disposto. Vendo de forma realista, precisamos de uma direção colegiada, que contemple as nossas principais lideranças e os nossos presidenciáveis, Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin. As pessoas têm de se sentir respeitadas, incluídas, com espaço para trabalhar.

A direção colegiada seria organizada na forma de um conselho?

Não necessariamente. Poderia ser montada com a estrutura que temos hoje.

E como está o diálogo dentro do partido para a construção dessa unidade?

O tempo está passando, estamos nos aproximando da data da convenção nacional e as pessoas não estão conversando entre elas. Está cada líder na sua. Ninguém age para achar uma solução, ninguém tem suficiente isenção para catalisar esses entendimentos sem que pareça estar agindo em causa própria. Talvez o próprio Fernando Hernique pudesse fazer isso.

Esse não seria o papel de Sérgio Guerra, como presidente atual do partido? Como, se ele é candidato à reeleição?

Ele deflagrou uma campanha há três meses atrás, no gesto precipitado de lançar um abaixo-assinado por sua recondução ao cargo. Ele é uma parte diretamente interessada.

O senhor se opõe à reeleição de Sérgio Guerra?

Não tenho veto a ele nem a ninguém. Se a resultante da reeleição dele for unitária, não há problemas. É preciso que a formação da executiva do partido e da direção da Fundação Teotônio Vilela harmonizem todas as tendências dentro do partido.

O senhor ficou incomodado com a nota de Guerra sobre a situação do partido em São Paulo. Por quê?

Não gostei e falei publicamente. Mas é uma divergência que expressei e pronto. O PSDB não é o Partido Comunista da União Soviética no tempo de Stálin, onde quem fazia crítica era levado para o gulag.

Ainda assim o senhor disse na semana passada que os tucanos praticavam o stalinismo às avessas, por eliminar amigos para se manter na oposição.

Isso porque o episódio da Câmara Municipal de São Paulo, que resultou na saída de seis vereadores do partido, foi mal conduzido. Mas, enfim, o prejuízo está feito e o caso está encerrado.

Quem conduziu mal esse processo?

A própria direção municipal do partido, que não conseguiu encaminhar bem a sua sucessão.

Há tucanos em São Paulo comemorando a saída dos vereadores e de Walter Feldman.

Era uma bancada muito boa, de altíssima qualidade, estava unida, tinha a presidência da Casa. A gente dá um duro danado para eleger um vereador e vê agora vereadores bons saindo do partido. Quem comemora é igual hiena gargalhando. Onde já se viu comemorar saída de gente da qualidade de Walter Feldman, Gilberto Natalini e José Pólice Neto? Para mim isso só causa tristeza.

O senhor vê saída para a indisposição que se criou em São Paulo? Sim. Houve uma intervenção do governador Alckmin nesse processo levando a um entendimento com a bancada de vereadores, dando aos que ficaram uma posição de influencia dentro da executiva. Isso permitiu a superação desse episódio e vamos caminhar para uma convenção estadual tranquila.

Pedro Tobias, candidato à presidência do diretório paulista, escreveu um artigo classificando a saída dos vereadores como uma purificação no partido.

Não li o artigo, mas só por isso já não gostei. Coisa ruim, hein? Mas Pedro é um cara bom, trabalha muito pelo partido, se empenhou muito nas últimas eleições. O problema é que às vezes comete excessos de linguagem.

Por que tucano briga tanto entre si?

Tucano até que não briga muito não. Estamos vivendo um episódio localizado, circunscrito e encerrado.

FONTE: VEJA