Le MondeO diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) , Dominique Strauss-Kahn (DSK), foi detido no sábado 14 de maio no aeroporto JFK em Nova York e posto sob custódia por suposta agressão sexual em um hotel da cidade.
Strauss-Kahn, que se preparava para retornar à França, foi retirado do voo da Air France com destino a Paris alguns minutos antes da partida do avião, de acordo com fontes oficiais.
Segundo o porta-voz da polícia de NY, o diretor do FMI “será acusado de agressão sexual, sequestro e tentativa de estupro”. Ainda esta noite, será levado à presença de um juiz e acusado formalmente, informou o porta-voz.
A notícia de sua prisão foi dada um pouco mais cedo pelo The New York Times (NYT) e rapidamente confirmada por fonte oficial. “O senhor Strauss-Kahn foi retirado de um voo da Air France por agentes da Polícia Aeroportuária de Nova York e de Nova Jersey e entregue a policiais de Manhattan”, escreveu o jornal, citando o porta-voz da Polícia Aeroportuária.
A queixa foi feita por uma arrumadeira de 32 anos, empregada do hotel Sofitel situado no número 45 da rua 44 Oeste, no coração de Manhattan, segundo Paul Browne, porta-voz da polícia de NY.
De acordo com o NYT, “eram 16:45 quando oficiais de justiça da Polícia Aeroportuária de Nova York e Nova Jersey entraram no voo 23 (...) da Air France e levaram o senhor Strauss Kahn já detido”, declarou John Kelly, porta-voz da Polícia Aeroportuária. “Tudo aconteceu 10 minutos antes da hora prevista para a decolagem”, disse o porta-voz citado pelo jornal.
A investigação foi entregue à unidade de vítimas especiais da Polícia de NY, diz o jornal espanhol El País. Os fatos de que é acusado Strauss-Kahn se passaram às 13 horas, hora de NY.
Uma camareira do Sofitel entrou no quarto do diretor-geral do FMI para fazer a arrumação quando este “saiu completamente nu do banheiro e tentou agredi-la sexualmente”. A empregada conseguiu escapar, avisou outros funcionários, que telefonaram para o 911 (telefone da Polícia).
Quando a polícia chegou ao local, Strauss-Kahn já não estava lá. Ao que tudo indica ele saiu às pressas pois os investigadores encontraram no quarto seu celular e outros objetos pessoais. A empregada foi levada para o hospital Roosevelt por conta de ferimentos sem gravidade, disse o porta-voz da polícia de NY.
Ninguém do staff de Strauss-Kahn, nem do FMI, comentou a queixa naquele momento.
Interrogados pela Agência France Press, um porta-voz do FMI e o advogado de Strauss-Kahn em Washington explicaram que não tinham informações sobre o caso.
O NYT afirma que o senhor Strauss-Kahn será defendido pelos advogados William Taylor e Benjamin Brafman. Esse último declarou que ainda não pode falar com seu cliente.
A agenda do diretor do FMI arrisca estar comprometida nos próximos dias. Hoje ele deveria ir para Berlim onde seria recebido pela chanceler Angela Merkel. Na segunda-feira deveria participar de uma reunião com os ministros das Finanças da zona do euro, em Bruxelas, e na quarta-feira faria um discurso no 12º Forum Econômico de Bruxelas, organizado pela Comissão europeia.
No dia seguinte, 19 de maio, o chefe do FMI falaria para uma plateia em um centro de estudos de Washington dedicado à Economia Internacional, o Instituto Peterson, a respeito da “retomada de crescimento e cooperação mundiais”.
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Ameaçado o futuro político de Strauss-Kahn
A prisão de DSK no sábado 14 de maio, em NY, acusado de agressão sexual, poderá interromper a potencial candidatura do diretor-geral do FMI às eleições presidenciais de 2012 na França.
A notícia dada pelo The New York Times (NYT) da detenção do chefe do FMI arrisca tumultuar a campanha presidencial francesa.
DSK aparece bem nas pesquisas de intenção de voto como candidato favorito dos franceses. Ele está na frente do presidente Nicholas Sarkozy, que deve tentar a reeleição.
Após sua temporada em Paris no fim de abril, DSK passou a ser alvo de críticas ácidas de uma parte da imprensa sobre seu modo de vida e patrimônio familiar.
Uma foto que o mostra num Porsche diante de seu endereço em Paris, na Place des Vosges, foi vista como uma falha na comunicação: seus aliados a consideraram “um erro”, um verdadeiro mau passo, com efeito negativo sobre as eleições presidenciais do ano que vem.
Na sexta-feira ele decidiu contra atacar anunciando, por meio de seus advogados, que irá processar o France-Soir. Os adeptos de DSK vêm nessa campanha da imprensa a mão de Sarkozy.
Com sua prisão sábado em NY, a situação de DSK fica muito comprometida. Em 2008, o FMI fizera uma enquete sobre ele em seguida a um caso extra-conjugal com uma ex-funcionária do departamento da África, Piroska Nagy. Ele foi desculpado, mas o FMI o reprovou pelo grave erro de julgamento.
Sua mulher, Anne Sinclair, antiga estrela do jornalismo da cadeia de TV TF1, foi seu principal apoio “virando a página” sobre “a aventura de uma noite”. Esse caso não afetou sua popularidade nas pesquisas eleitorais.
Obrigado a um severo sigilo em razão de suas funções no FMI, DSK se cala sobre suas intenções quanto às eleiçõess presidenciais.
Até hoje, nenhum de seus amigos duvidava que ele se declararia candidato logo depois da reunião de cúpula do FMI em Deauville no fim de maio e após o plano para a salvação da Grecia estar em andamento. Mas esse caso, se as acusações se confirmarem, poderá mudar tudo.
O enfraquecimento de DSK serve a seus potenciais adversários. No último fim de semana algumas pessoas confidenciaram que ele era “o homem a ser abatido”. Descreviam Sarkozy como o “desafiante” na presidencial frente ao superfavorito DSK.
Depois do caso extra-conjugal, a direita aponta o lado sedutor do chefe do FMI como seu calcanhar de Aquiles.
Quando a aventura de uma noite fez tremer o FMI
O conselho administrativo do FMI revelou em outubro de 2008 ter sido encarregado de investigar o caso de DSK com a economista húngara Piroska Nagy, lotada no departamento da África daquela instituição.
O marido de Nagy descobriu o caso acontecido no mês de janeiro de 2008 e informou ao FMI. A instituição contratou um escritório de advogados de Washington para investigar o assunto. A investigação concluiu que o caso aconteceu por mútuo consentimento e que não ocorrera nenhum favoritismo. Concluiu também que da parte de DSK não tinha havido assédio nem promessas de favoritismo ou abuso de poder.
No dia 25 de outubro, o conselho de administração do FMI determinou que DSK fosse mantido em seu cargo, reprovando-o pelo erro de julgamento já que o caso ocupou a primeira página da imprensa internacional.
DSK apresentou suas desculpas aos funcionários da instituição. O caso relativo à vida privada do diretor-geral do Fundo pegou muito mal no momento em que o FMI, que reúne 185 países, multiplicava suas intervenções para conter os efeitos da crise financeira global.
Se não teve consequências para a carreira de DSK e não foi explorado politicamente na França (o primeiro-ministro François Fillon falou em “assunto totalmente privado”), o caso, no entanto, provocou rumores sobre a vida privada de Strauss-Kahn. Na ocasião, ele disse que processaria todos que retransmitissem rumores maldosos.
Em seu blog, a mulher de DSK, Anne Sinclair, escreveu que tinha “virado a página” sobre “a aventura de uma noite” e concluiu: "Nós nos amamos como no primeiro dia."
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